sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Investigada por suposto envolvimento em um esquema de fraudes em licitações na área da educação em Rio Verde, Karen Proto, mulher do delegado Dannilo Proto, teria procurado uma conselheira espiritual para perguntar qual “trabalho” poderia ser feito para matar uma promotora de Justiça de Goiás.
As mensagens são de 2024 e foram interceptadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Goiás (MP-GO). O conteúdo foi divulgado pelo Mais Goiás nesta sexta-feira (28).
Segundo a reportagem, em uma das conversas com a conselheira Sarah Kalil, Karen pergunta “qual o trabalho que faz para matar alguém?”. Em outro momento, ao se referir à promotora, teria afirmado que queria “explodir” e “pôr fogo” na agente pública.
A identidade da promotora foi preservada. Ela confirmou ao Mais Goiás que tem conhecimento das ameaças e da suposta encomenda, mas informou que não comentaria o caso.
De acordo com as mensagens que integram a investigação, a revolta estaria relacionada a uma licitação envolvendo o Instituto Delta Proto, apontado como um dos principais alvos das apurações sobre suposto favorecimento em contratos públicos e lavagem de dinheiro.
Karen relata à conselheira que o instituto havia vencido uma licitação em Divinópolis de Goiás, mas que a promotora de Rio Verde teria entrado em contato com um membro do Ministério Público daquele município para tratar da desabilitação da empresa.
Durante o diálogo, Karen demonstra irritação diante da possibilidade de perder o contrato e pergunta o que poderia ser feito para “dar um fim” e ter “sossego” da promotora. Na sequência, faz as declarações mais graves sobre “explodir” e “pôr fogo” na agente pública.
As conversas foram incluídas no conjunto de documentos reunidos pelo Gaeco e são utilizadas na investigação como elementos relacionados aos interesses empresariais dos investigados e às reações deles diante de medidas tomadas por agentes públicos.
Outro trecho da documentação apresenta mensagens atribuídas ao delegado Dannilo Proto. Nelas, ele também demonstra revolta com a atuação da promotora e utiliza termos ofensivos para se referir à representante do Ministério Público.
Segundo a transcrição, Dannilo comenta uma manifestação da promotora relacionada a um contrato e orienta Karen a procurar outra pessoa para tentar reverter a situação.
Procurada pelo Mais Goiás, a defesa do casal informou que não se manifestaria sobre o conteúdo. O advogado afirmou apenas que as mensagens divulgadas são antigas, classificando o episódio como “águas passadas pelo menos há um ano”.
Dannilo Proto foi preso em agosto de 2025. O Ministério Público de Goiás apresentou denúncias contra ele por crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de capitais, falsidade ideológica e ameaça.
Atualmente, o delegado está na Casa de Prisão Provisória (CPP), em Goiânia. Ele foi transferido para a unidade depois de ter sido flagrado com um celular enquanto permanecia detido na Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH).
Karen Proto também chegou a ser presa durante as investigações. Ela foi detida em Rio Verde no dia 27 de janeiro deste ano, sob suspeita de participação na suposta organização criminosa investigada pelo MP-GO e que, segundo as apurações, seria liderada pelo marido.
No dia 28 de fevereiro, Karen foi colocada em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares, entre elas o monitoramento eletrônico.
A documentação também contém uma conversa de setembro de 2023 relacionada a João Marcos, ex-funcionário de um cursinho ligado ao grupo. Conforme o relato atribuído a Karen, ele teria posteriormente aberto um negócio concorrente em Rio Verde e passado a fazer críticas à empresa.
Karen relata que o homem teria desaparecido das redes sociais e retornado para Goiânia. Na conversa, ela atribui a Dannilo a frase: “Eu já te falei que eu resolvo as coisas”.
O trecho também integra os documentos reunidos durante as investigações.
Jornal online com a missão de produzir jornalismo sério, com credibilidade e informação atualizada, da cidade de Rio Verde e região.