quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Redação Jornal Somos
O procurador e advogado Augusto Aras é hoje o favorito para ganhar a indicação do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao cargo de Procurador-Geral da República (PGR).
Se for escolhido, Aras indicará os representantes do Ministério Público em tribunais nos quais o escritório de advocacia do qual ele é sócio tem processos em andamento.
A situação é vista com reservas por colegas de Aras no MPF, que enxergam possível conflito de interesse.
Juntos, o procurador e seus quatro sócios no escritório Aras e Advogados Associados figuram em 460 processos no Supremo Tribunal Federal (STF), no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O número de processos nos quais o escritório atuou é um pouco menor, porém, pois em alguns casos há mais de um advogado da banca atuando.
O PGR atua nesses tribunais diretamente e por meio de auxiliares (STF); por meio de seu escolhido para vice-procurador-geral (STJ); e pelo procurador-geral eleitoral (TSE), que também é indicado por ele.
Questionado pela reportagem da BBC News Brasil, Aras se comprometeu a deixar o escritório de advocacia, caso seja escolhido por Bolsonaro para a função. Disse também que entregará sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil.
"Se houver indicação, devolverei minha carteira da OAB, como fizeram todos os procuradores-gerais que me antecederam, e sairei da sociedade (de advogados) da qual sou mero consultor", disse ele, por meio de seu assessor de imprensa.
Além de Aras, também figuram como sócios do escritório de advocacia dois filhos dele, Augusto e Lianna, segundo o cadastro da empresa na Receita Federal.
O favorito ao cargo de PGR diz que deixou de atuar com a advocacia anos atrás, por volta de 2010. Seus filhos também deixaram de atuar no escritório em 2017, segundo ele - embora ainda figurem como proprietários da empresa.
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