sexta-feira, 04 de abril de 2025
Diante das oscilações do mercado, especialista reforça a importância da eficiência nas operações
Foto: Reprodução
O ano de 2024 foi histórico para o setor de carne bovina brasileira, que consolidou o país como líder global com as exportações. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), foram, no total, de 2,89 milhões de toneladas embarcadas, um crescimento superior a 26% ante 2023.
A China manteve sua posição como principal destino, com 1,33 milhão de toneladas, gerando um faturamento de US$ 6 bilhões. Em seguida, destacaram-se os Estados Unidos, que importaram 229 mil toneladas, somando US$ 1,35 bilhão. Outros mercados importantes incluem os Emirados Árabes Unidos (132 mil toneladas e US$ 604 milhões), a União Europeia (82,3 mil toneladas e US$ 602 milhões), o Chile (110 mil toneladas e US$ 533 milhões) e Hong Kong (116 mil toneladas e US$ 388 milhões).
Para que este bom resultado se mantenha em 2025, os produtores e as indústrias do Brasil precisarão superar alguns desafios. De acordo com Vanessa Silva, especialista em operações internacionais, para o setor continuar crescendo, antes de mais nada é preciso ter atenção com alguns fatores internos. Entre eles está a disparidade do preço do boi no Brasil em comparação às cotações internacionais. “O mercado não está acompanhando essa relação de valorização, desta forma, a compra está muito apertada e muitas vezes essa conta não fecha. Por isso precisamos focar na eficiência operacional”, destaca.
Outro gargalo da cadeia produtiva da carne brasileira, segundo a profissional, é o desafio logístico. “O custo das operações é muito alto, a combinação de longas distâncias, estradas de qualidade inferior e preços elevados de frete, pedágio e combustível torna a operação mais onerosa. Isso leva muitos frigoríficos a optar pela exportação, mesmo com as flutuações do dólar, já que o mercado interno está passando por dificuldades devido à desvalorização do real”, detalha a especialista.
Oportunidades
Com o aumento da produção interna, tem se alterado a dinâmica comercial global. Em diversos momentos do ano, a China deixa de ser a “galinha dos ovos de ouro” para os frigoríficos brasileiros, enquanto outros mercados, como os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos, passam a oferecer preços mais competitivos.
Diante desse cenário, torna-se essencial diversificar estratégias e explorar novas oportunidades para garantir margens mais sustentáveis. “Apesar dos avanços na produção local, o consumo per capita de carne bovina na China permanece significativamente abaixo de outros países, o que evidencia o grande potencial inexplorado desse mercado. Essa perspectiva reforça a necessidade de adaptação e inovação para manter a competitividade no cenário global”, pontuou a especialista.
Além da China, o mercado asiático apresenta ainda outras possibilidades de negócios e oportunidades para a carne bovina nacional. Vale ressaltar o potencial da Indonésia, além de Taiwan e o Japão. Inclusive, este último vale um destaque. Recentemente, uma comitiva do Brasil com representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) esteve no país com o principal objetivo fortalecer os laços comerciais e avançar nas negociações bilaterais.
Durante o encontro, as autoridades reforçaram os aspectos de sanidade, qualidade e sustentabilidade da agropecuária brasileira e a importância da parceria comercial entre Brasil e Japão, que completa 130 anos de diplomacia e comércio bilateral em 2025. “Essa aproximação será excelente para o Brasil, pois sempre é bom ter mais opções de compradores para não ficarmos dependentes apenas de um país. E como a Ásia não cria boi em larga escala, naturalmente vão pagar um preço melhor”, finalizou Vanessa.
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