sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
O uso de produtos à base de cloro é comum na limpeza de piscinas coletivas, mas o manuseio inadequado pode provocar acidentes graves, como o que pode ter causado a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, e a intoxicação de outras cinco pessoas após uma aula de natação na academia C4 Gym, na zona leste de São Paulo, no último sábado (7).
A avaliação é do professor de química da Universidade de São Paulo (USP), Reinaldo Bazito. Segundo ele, os produtos mais utilizados na desinfecção de piscinas são o hipoclorito de cálcio (cloro de piscina) e os cloros granulados orgânicos, como o dicloroisocianurato — caso do HidroAll Hipercloro 60, citado no caso da academia.
De acordo com o especialista, quando utilizados corretamente e seguindo as instruções do rótulo, esses produtos são seguros. O risco surge quando há erro na dosagem ou nas condições da água, especialmente se o pH estiver muito ácido. Nessas situações, pode ocorrer a liberação de cloro gasoso, substância altamente tóxica.
“O cloro gasoso, ao entrar em contato com as mucosas, forma ácido clorídrico e ácido hipocloroso, causando irritação imediata na garganta, nariz e vias respiratórias. Dependendo da concentração, pode provocar complicações graves como broncoespasmo e até edema pulmonar”, explica Bazito.
Segundo depoimento à Polícia Civil, o funcionário responsável pela manutenção da piscina utilizou seis medidas de dicloroisocianurato no sábado, após já ter aplicado duas medidas no dia anterior. Ele afirmou não possuir treinamento técnico e que recebia orientações por mensagens de um dos sócios da academia.
O professor destaca que a Resolução nº 332/2025 do Conselho Federal de Química (CFQ) determina que piscinas de uso coletivo, públicas ou privadas, devem contar com acompanhamento de profissional químico responsável pela análise e controle da qualidade da água. A medida tem caráter preventivo e visa reduzir riscos à saúde coletiva.
Além disso, Bazito alerta que produtos à base de cloro não devem ser misturados com outros produtos químicos, especialmente os que contêm amônia ou amônio, pois a reação pode gerar cloraminas — gases igualmente tóxicos.
Em caso de suspeita de intoxicação, a orientação é procurar atendimento médico imediato. Não existe antídoto específico para exposição ao cloro; o tratamento é feito de acordo com os sintomas apresentados. “Se há cheiro forte de cloro, já houve exposição. E os sintomas podem se agravar horas depois”, reforça.
Caso seja detectado excesso de cloro na água, é possível utilizar tiossulfato, substância que neutraliza o cloro ao transformá-lo em compostos inertes. No entanto, essa medida exige conhecimento técnico e testes adequados para verificar os níveis da substância.
O especialista também destaca que ambientes fechados, como academias com piscinas aquecidas, podem agravar a situação. Sem a ação da radiação ultravioleta, que ajuda na degradação do cloro, e com a água aquecida favorecendo a liberação do gás, há maior risco de acúmulo no ambiente.
A Polícia Civil aguarda o laudo pericial para confirmar o que provocou a intoxicação na C4 Gym. O caso segue sob investigação.
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