segunda-feira, 22 de junho de 2026

Em tentativa de recuperar imagem pública do STF, Gilmar Mendes realiza ‘maratona’ de entrevistas

POR Marcos Paulo dos Santos | 22/06/2026
Em tentativa de recuperar imagem pública do STF, Gilmar Mendes realiza ‘maratona’ de entrevistas
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Há 24 anos no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes tem ampliado sua presença na imprensa em um momento de forte desgaste institucional da Corte. Entre abril e junho deste ano, o decano concedeu pelo menos 11 entrevistas a diferentes veículos de comunicação, abordando temas sensíveis como o caso Banco Master, críticas ao Supremo e os limites da atuação dos magistrados.

 

Levantamento do portal Poder360 aponta que, entre os dias 19 de abril e 19 de junho, Gilmar participou de entrevistas em emissoras de TV, rádios, jornais, podcasts e publicações especializadas na área jurídica.

 

A sequência de aparições começou em abril, quando o ministro falou com sete veículos em apenas três dias, incluindo Jornal da Globo, TV Record, CNN Brasil, Band, Metrópoles, Correio Braziliense e o jornal português Expresso. Nos meses seguintes, ele voltou a conceder entrevistas a programas de rádio, jornais e portais jurídicos.

 

A movimentação ocorre em meio à repercussão do caso Banco Master, que gerou questionamentos sobre a relação de integrantes do STF com Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira. Nas entrevistas, Gilmar tem defendido que a origem da crise está no sistema financeiro e nos mecanismos de fiscalização, e não na atuação do Supremo.

 

Caso Banco Master domina entrevistas

 

O tema mais recorrente nas declarações do ministro foi justamente o Banco Master. Gilmar afirmou que o STF foi associado de forma indevida à crise envolvendo a instituição e defendeu a apuração de eventuais irregularidades, inclusive se houver envolvimento de integrantes da Corte.

 

O processo relacionado ao caso está sob relatoria do ministro André Mendonça e conta com acompanhamento da Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

As discussões ganharam força após revelações envolvendo ministros do Supremo. Um dos episódios envolve Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso após vir a público uma negociação envolvendo uma empresa da qual é sócio e um fundo ligado ao empresário Daniel Vorcaro. O caso levantou debates sobre transparência e possíveis conflitos de interesse.

 

Outro nome citado foi o do ministro Alexandre de Moraes. Informações obtidas junto à Receita Federal indicam que o Banco Master declarou pagamentos de aproximadamente R$ 80 milhões a um escritório de advocacia que tem entre os sócios a esposa do magistrado. A banca informou que prestou consultoria jurídica ao banco, mas negou atuação em processos da instituição no STF.

 

Debate sobre exposição de magistrados

 

A intensa agenda de entrevistas também reacendeu discussões sobre os limites da atuação pública de magistrados. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) proíbe juízes de se manifestarem sobre processos em andamento ou fazerem críticas públicas a decisões judiciais.

 

O Código de Ética da Magistratura também recomenda cautela na relação com a imprensa e orienta que magistrados evitem declarações que possam interferir em processos ou prejudicar partes envolvidas.

 

Apesar disso, aliados de Gilmar Mendes avaliam que as entrevistas têm caráter institucional e servem para defender a imagem do Supremo diante das críticas recebidas pela Corte. O ministro sustenta que os ataques ao STF não surgiram internamente e têm sido ampliados por setores externos ao tribunal.

 

Nesta segunda-feira (22), Gilmar Mendes participa do programa Roda Viva, da TV Cultura, onde deve voltar a abordar o caso Banco Master e a atuação do Supremo Tribunal Federal.

 

Com informações de Poder360. 

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