sexta-feira, 03 de julho de 2026

Brasil

El Niño pode encarecer ainda mais alimentos em Goiás

POR Marcos Paulo dos Santos | 02/07/2026
El Niño pode encarecer ainda mais alimentos em Goiás
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O avanço do fenômeno El Niño pode provocar uma nova alta nos preços dos alimentos em Goiás nos próximos meses. Com a previsão de temperaturas mais elevadas e redução das chuvas, especialistas alertam que a produção agrícola será afetada, o que tende a diminuir a oferta de produtos e pressionar os preços para o consumidor.

 

Segundo a Central de Abastecimento de Goiás (Ceasa), mesmo antes da intensificação do fenômeno climático, diversos alimentos já apresentaram aumento de preço entre maio e junho. De acordo com o gerente técnico da Ceasa, Josué Lopes, o segundo semestre costuma registrar alta nos preços por causa da estiagem, mas um El Niño de maior intensidade pode agravar ainda mais o cenário.

 

"Independentemente do El Niño, o segundo semestre já costuma impulsionar o preço dos alimentos devido à estiagem. No entanto, pela intensidade projetada do fenômeno, haverá impacto no setor produtivo, já que muitas culturas dependem de irrigação. Isso afeta a produção, reduz a oferta e chega ao consumidor final", explica.

 

Entre os produtos que podem sofrer maior valorização estão hortaliças que necessitam de grande volume de água, como alface, pimentão, pepino, vagem e chuchu.

 

Os dados da Ceasa mostram que alguns alimentos já registraram aumentos expressivos em junho. O pimentão ficou 40% mais caro, a cebola teve alta de 33,34%, a vagem subiu 20% e a abóbora japonesa (cabotiá) registrou aumento de 12,5%.

 

As frutas também seguem a mesma tendência. A banana-maçã teve elevação de 53,85% no período, enquanto o mamão ficou 52% mais caro. Ao todo, pelo menos 11 produtos apresentaram reajustes que impactam diretamente o orçamento das famílias goianas.

 

O economista Luiz Carlos Ongaratto destaca que os reflexos do El Niño podem ir além das hortaliças e frutas. Segundo ele, grandes culturas como soja e cana-de-açúcar também podem sofrer perdas de produtividade, o que pode elevar o custo da alimentação animal e, consequentemente, influenciar o preço das proteínas.

 

"O El Niño forte pode prejudicar a produtividade e o plantio das grandes lavouras. Isso poderá refletir na cesta básica, especialmente nas proteínas, já que a alimentação dos animais tende a ficar mais cara durante a seca. Goiás deverá enfrentar temperaturas mais altas e menor regularidade das chuvas", afirma.

 

Como economizar

 

Para reduzir os impactos no orçamento, os especialistas recomendam que o consumidor pesquise preços antes das compras, aproveite promoções e substitua alimentos que estejam mais caros por opções mais acessíveis.

 

Nas feiras livres, uma estratégia é realizar as compras próximo ao horário de encerramento das atividades, quando comerciantes costumam oferecer descontos para evitar perdas dos produtos.

 

"Será difícil escapar dos efeitos desse aumento, mas pesquisar preços e substituir itens mais caros por alternativas mais baratas pode ajudar a reduzir os gastos", conclui o economista.

 

Jornal Somos

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