segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Crise no São Paulo se agrava com derrota em campo e votação de impeachment do presidente

POR Marcos Paulo dos Santos | 12/01/2026
Crise no São Paulo se agrava com derrota em campo e votação de impeachment do presidente
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O São Paulo iniciou o Campeonato Paulista em meio a um cenário turbulento dentro e fora de campo. No último domingo (11), o Tricolor foi derrotado por 3 a 0 pelo Mirassol, na estreia da competição. Fora das quatro linhas, porém, a situação é ainda mais delicada e deve ganhar novos capítulos nos próximos dias.

 

Na sexta-feira (16), o clube irá votar o impeachment do presidente Julio Casares. A decisão ocorre em meio a uma investigação que envolve integrantes da atual e da antiga gestão do São Paulo. A apuração teve início após uma denúncia anônima enviada à Polícia Civil de São Paulo, o que levou o Ministério Público a instaurar um inquérito para analisar movimentações financeiras consideradas fora do padrão nas contas do clube.

 

O principal nome citado na investigação é Nelson Marques Ferreira, que atuou como diretor adjunto do São Paulo entre 2021 e novembro de 2025. Segundo as autoridades, foram identificadas cerca de 15 franquias e outras 15 empresas instaladas em shoppings centers, o que levantou suspeitas sobre possível uso irregular de recursos ligados ao clube.

 

Outro ponto que chama a atenção diz respeito a saques em dinheiro realizados com apoio de carro-forte. De acordo com a polícia, foram registrados 33 saques nesse formato. O maior volume ocorreu em 2024, com 11 retiradas que somaram R$ 5,2 milhões. Já em 2025, houve cinco saques, totalizando R$ 1,7 milhão.

 

Além de Nelson Marques Ferreira, o inquérito também analisa as contas bancárias do presidente Julio Casares e de pessoas ligadas ao seu núcleo familiar. Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontaram movimentações consideradas atípicas ao longo de 29 meses, entre janeiro de 2023 e maio de 2025.

 

Nesse período, mesmo recebendo um salário mensal pouco acima de R$ 27 mil do São Paulo, as contas do dirigente registraram movimentações superiores a R$ 3 milhões, com média mensal em torno de R$ 110 mil. Parte desses valores teria sido depositada em dinheiro, segundo os relatórios.

 

A defesa de Julio Casares nega qualquer irregularidade. De acordo com o advogado, não há relação entre os saques realizados pelo clube e os valores movimentados nas contas pessoais do presidente. A defesa afirma ainda que os recursos têm origem em atividades privadas anteriores e que Casares não tinha poder de decisão sobre a execução financeira das operações investigadas. 

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