sexta-feira, 23 de outubro de 2026
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) apontou o crescimento das exportações de carne bovina brasileira para a China como um dos fatores que justificariam a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. O órgão americano alega que a expansão das vendas do Brasil ao mercado chinês teria gerado uma concorrência considerada desleal para os produtores norte-americanos.
De acordo com o relatório divulgado nesta terça-feira (2), as exportações brasileiras de carne congelada para as economias investigadas pelo USTR praticamente dobraram entre 2015 e 2025. No mesmo período, as exportações dos Estados Unidos registraram crescimento de apenas 21%.
O documento destaca ainda que as vendas brasileiras para a China aumentaram mais de 17 vezes na última década, superando amplamente o desempenho das exportações americanas.
Entre os argumentos apresentados, o USTR afirma existir dificuldade para rastrear possíveis casos de trabalho forçado na cadeia produtiva da carne bovina brasileira, citando a prática conhecida como “lavagem de gado” — quando animais são transferidos entre propriedades para dificultar a identificação da origem.
Apesar de reconhecer os desafios na fiscalização, o órgão sustenta que isso não impede a conclusão de que a carne bovina brasileira representa uma concorrência prejudicial às exportações dos Estados Unidos.
“O fato de tais dificuldades existirem não invalida a conclusão deste relatório de que as exportações dos EUA de carne bovina congelada produzidas de forma legítima para a China foram afetadas negativamente pela concorrência de carne bovina sob risco de trabalho forçado proveniente do Brasil”, afirma o documento.
O USTR admite, entretanto, que outros fatores também podem ter contribuído para a perda de competitividade americana, como o tamanho do rebanho dos Estados Unidos e as tarifas impostas pela China aos produtos norte-americanos em 2019. Ainda assim, o órgão argumenta que, caso houvesse restrições às importações associadas ao trabalho forçado, os Estados Unidos teriam ampliado suas exportações para o mercado chinês.
A discussão ocorre em um momento favorável para o agronegócio brasileiro. Em 2025, as exportações do setor para a China ultrapassaram US$ 50 bilhões.
Além disso, nesta semana o governo chinês reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa. A medida deve facilitar a ampliação das exportações de carne bovina, especialmente de produtos como carnes com osso e miúdos, fortalecendo ainda mais a presença brasileira no principal mercado consumidor do mundo.
O relatório faz parte de uma investigação conduzida pelo USTR sobre a entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada em diversos mercados internacionais.
Ao todo, 60 países foram analisados. Segundo o órgão, 54 economias, entre elas o Brasil, não possuem mecanismos considerados eficazes para impedir a importação de produtos ligados ao trabalho forçado.
A nova proposta de sobretaxa foi anunciada apenas um dia após outra recomendação do governo americano, que sugeriu uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros em meio a uma investigação comercial envolvendo o sistema de pagamentos Pix.
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Com informações de Metrópoles.
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