sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou à Polícia Federal (PF) que o Banco Master possuía apenas R$ 4 milhões em caixa antes da liquidação decretada em novembro do ano passado pela própria autarquia.
Aquino prestou depoimento no dia 30 de dezembro de 2025 à PF e a representantes da Procuradoria-Geral da República (PGR), no âmbito do inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura suspeitas de fraudes envolvendo a instituição financeira.
Segundo o diretor do BC, o Banco Master era classificado como um banco de médio porte e detinha cerca de R$ 80 bilhões em títulos de crédito. Em situações normais, instituições desse porte costumam manter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em títulos livres para negociação, indicador considerado essencial para demonstrar liquidez. No entanto, de acordo com o depoimento, o Master tinha somente R$ 4 milhões disponíveis em caixa.
“Para deixar isso claro, um banco com R$ 80 bilhões em ativos costuma ter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em liquidez. O Master, antes da liquidação, tinha R$ 4 milhões”, afirmou Aquino.
O diretor também relatou problemas semelhantes no Will Bank, instituição ligada ao Banco Master e que igualmente acabou liquidada. Conforme o relato, havia dificuldades recorrentes para fechamento de caixa e cumprimento de pagamentos, o que motivou acompanhamento constante por parte do Banco Central.
As investigações sobre as supostas fraudes no Banco Master estão sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no STF. Em dezembro do ano passado, o ministro decidiu que o caso deveria permanecer na Corte, e não na Justiça Federal de Brasília, após a citação de um deputado federal nas apurações, o que atrai a competência do foro privilegiado.
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que teve como alvos o banqueiro Daniel Vorcaro e outros investigados. A operação apura a concessão de créditos considerados fraudulentos pelo Banco Master, incluindo uma tentativa de venda da instituição ao Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal.
De acordo com as investigações, o volume das fraudes pode chegar a R$ 17 bilhões.
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