segunda-feira, 23 de março de 2026

Banco controlado pelo bispo Edir Macedo acumula rombo de R$ 8,5 bilhões e preocupa FGC e mercado

POR Marcos Paulo dos Santos | 23/03/2026
Banco controlado pelo bispo Edir Macedo acumula rombo de R$ 8,5 bilhões e preocupa FGC e mercado

Foto: Divulgação

O

O banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, passou a ser alvo de preocupação no mercado financeiro. A instituição enfrenta uma crise severa, com patrimônio líquido negativo estimado em cerca de R$ 8,5 bilhões, e já está no radar do Banco Central, do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e de agentes do setor.

 

A situação ganhou ainda mais atenção depois da liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. Segundo informações divulgadas sobre o caso, o Digimais teria adotado um modelo semelhante ao do banco liquidado, com uso de estruturas que inflariam artificialmente o patrimônio de fundos para melhorar os balanços e ampliar a emissão de CDBs.

 

Assim como ocorreu com o Master, o Digimais também oferece rentabilidades elevadas para atrair investidores, chegando a 125% do CDI. A garantia do FGC, limitada a R$ 250 mil por CPF, é apontada como principal chamariz para os clientes. Outro fator que chama atenção é a ligação da corretora ID, responsável pela administração de fundos do banco, com ex-executivos do próprio Master.

 

Entre os principais problemas levantados está a negociação de carteiras de crédito com suspeita de fraude. Um dos casos citados envolve o fundo EXP1, que desembolsou R$ 650 milhões, em fevereiro de 2024, pela compra de carteiras de crédito consignado do Digimais. Após atrasos na entrega da documentação, uma auditoria internacional identificou inconsistências: dos 55 mil contratos apresentados, 22 mil seriam falsos, representando cerca de R$ 500 milhões sem lastro.

 

De acordo com a apuração, esses créditos não pertenciam de fato ao Digimais, mas estariam ligados ao Banco Master e à Reag, gestora e administradora de fundos associada ao antigo banco. A situação reforçou a preocupação com a qualidade dos ativos ligados ao Digimais.

 

Também chamou a atenção a troca de três auditorias ao longo de 2024. As mudanças teriam retirado ressalvas anteriormente registradas nos balanços, especialmente em pontos ligados à mensuração de cotas de fundos de direitos creditórios. Fundos como Alpha, Omega, Abel, Delta e Tabor aparecem entre os que concentram ativos de maior risco, incluindo participações em empresas fora da bolsa, documentos sem auditoria independente e forte concentração em poucos emissores.

 

No ano passado, o Banco Central exigiu um aporte de R$ 250 milhões por parte de Edir Macedo para reforçar o caixa da instituição. No entanto, segundo as informações, o controlador teria retirado R$ 2 bilhões da Record que estavam investidos no banco, agravando ainda mais a situação financeira.

 

Desde 2022, o Banco Central pressiona pela venda do Digimais. Houve tentativas de negociação com nomes ligados ao mercado, como Maurício Quadrado, ex-sócio do Master, e Tércio Borlenghi Junior, dono da Ambipar, mas as operações não teriam avançado após negativa da autoridade monetária.

 

A administração do banco também passou por mudanças. A instituição foi inicialmente comandada por João Urbaneja, que não tinha trajetória no mercado financeiro, e depois por seu filho, Thiago Urbaneja. Mais tarde, Aldemir Bendine assumiu a presidência por exigência do Banco Central.

 

O Digimais nasceu a partir da aquisição do Banco Renner, antigo braço financeiro das Lojas Renner, em 2009. O controle total foi consolidado em 2020. Desde 2022, a instituição acumula prejuízos, sendo que naquele ano registrou perda superior a R$ 740 milhões.

 

Com o rombo deixado pelo Banco Master, que já consumiu quase metade do patrimônio do FGC, o caso do Digimais passou a ser acompanhado com ainda mais cautela. Agora, o fundo avalia o balanço da instituição e discute possíveis saídas, incluindo intervenção ou venda.

 

Em nota, o Digimais afirmou que trabalha em um plano voltado ao fortalecimento patrimonial e à reestruturação de passivos de longo prazo. Segundo o banco, a meta é garantir a sustentabilidade operacional e viabilizar uma sucessão de controle que preserve a instituição. A nota também destaca que a atual gestão busca reorganizar a área financeira e entregar resultados aos controladores ou a futuros compradores.

 

Com informações de Revista Piauí.

 

 

Jornal Somos

Jornal Somos

Jornal online com a missão de produzir jornalismo sério, com credibilidade e informação atualizada, da cidade de Rio Verde e região.

COMPARTILHE: