quinta-feira, 08 de outubro de 2026

Brasil

"Aposentado, fique tranquilo": Flávio Bolsonaro nega fim de reajustes na Previdência

POR Marcos Paulo dos Santos | 08/10/2026

Foto: Vittor Sales - Campanha de Flávio Bolsonaro)

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O candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), negou nesta quinta-feira (8) que pretenda reduzir os reajustes das aposentadorias e dos benefícios previdenciários caso seja eleito. A declaração ocorreu após a divulgação de informações de que sua equipe econômica estuda mudanças nas regras de correção dos pagamentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

 

Durante entrevista coletiva em Brasília, após oficializar o apoio do Podemos à sua candidatura, Flávio acusou a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de divulgar informações falsas sobre suas propostas.

 

“Aposentado, fique tranquilo, não caia nessa fake news do PT dizendo que eu vou acabar com um reajuste do aposentado. Pelo contrário: a minha avó é professora aposentada do estado. Eu sei a dificuldade que ela tem de fazer compras no final do mês”, afirmou.

 

Questionado diretamente por jornalistas se manteria reajustes acima da inflação para os aposentados, o senador respondeu que sim, assumindo publicamente o compromisso.

 

O que está sendo estudado pela equipe econômica?

 

Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro avaliam desvincular os reajustes das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) dos aumentos reais do salário mínimo.

 

Atualmente, o salário mínimo é corrigido considerando a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o crescimento da economia, respeitando os limites estabelecidos pela legislação.

 

Em 2026, o piso nacional foi fixado em R$ 1.621, com reajuste de 6,79%. Cerca de 70% dos beneficiários do INSS recebem um salário mínimo. Por isso, mudanças nessa regra poderiam atingir uma parcela significativa dos aposentados e pensionistas.

 

Já os benefícios previdenciários superiores ao salário mínimo são corrigidos pela inflação, sem a mesma política de valorização real aplicada ao piso nacional.

 

Caso a proposta em estudo fosse implementada, benefícios atualmente vinculados ao salário mínimo poderiam passar a receber apenas a reposição inflacionária, mesmo quando o piso nacional tivesse aumento superior à inflação.

 

O BPC, destinado a idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência de baixa renda que atendam aos requisitos legais, também poderia ser afetado. Atualmente, o benefício corresponde a um salário mínimo mensal.

 

Plano econômico prevê economia de até R$ 250 bilhões

 

Além das possíveis alterações previdenciárias, a equipe econômica do candidato avalia mudanças nas regras de gastos obrigatórios com saúde e educação.

 

De acordo com a Folha de S.Paulo, o conjunto de medidas discutidas teria como objetivo promover um ajuste fiscal equivalente a aproximadamente 2% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em R$ 250 bilhões.

 

Entre as possibilidades estão mudanças nos pisos constitucionais destinados à saúde e à educação, com a intenção de controlar o crescimento das despesas federais.

 

As medidas foram discutidas por integrantes da equipe econômica com representantes do mercado financeiro, mas não constam de forma detalhada no plano de governo oficialmente apresentado pelo candidato.

 

Flávio garante que não fará economia sobre os mais necessitados

 

Ao comentar as informações, Flávio Bolsonaro defendeu a redução de desperdícios e o combate à corrupção como alternativas para equilibrar as contas públicas.

 

“O Brasil é riquíssimo, não vou fazer economia em cima das pessoas que mais precisam”, declarou.

 

O senador também mencionou contratos superfaturados e irregularidades envolvendo o INSS como exemplos de problemas que pretende combater.

 

Apesar das propostas atribuídas à equipe econômica, não há anúncio oficial de alteração nas regras de reajuste das aposentadorias ou do BPC. Flávio Bolsonaro afirma que pretende preservar os benefícios e garantir aumentos reais aos aposentados.

 

A discussão ocorre durante a campanha do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro enfrentará o presidente Lula.

 

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