sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026

Brasil

Agronegócio liderou pedidos de recuperação judicial no Brasil ao fim de 2025

POR Marcos Paulo dos Santos | 06/02/2026
Agronegócio liderou pedidos de recuperação judicial no Brasil ao fim de 2025

Foto: IA

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O agronegócio fechou o quarto trimestre de 2025 como o setor com o maior número proporcional de empresas em recuperação judicial no país. Os dados constam no Monitor RGF de Recuperação Judicial, levantamento que acompanha a saúde financeira das empresas brasileiras com base em informações oficiais da Receita Federal.

 

De acordo com o estudo, o segmento da agropecuária encerrou o período com 493 empresas em recuperação judicial, um aumento de 14,2% em relação ao trimestre anterior. Com isso, o Índice RGF de Recuperação Judicial (IRJ) do setor chegou a 13,53 — o mais elevado entre todos os ramos da economia analisados.

 

O IRJ indica quantas empresas em recuperação judicial existem a cada mil companhias ativas. Na média nacional, o índice ficou em 2,13, bem abaixo do registrado pelo agronegócio.

 

Dentro do setor, o cultivo de soja concentrou o maior número de pedidos, com 217 empresas nessa situação. Na sequência aparecem a criação de bovinos para corte, com 84 registros, e o cultivo de cana-de-açúcar, com 50 casos.

 

Segundo o Monitor RGF, os números evidenciam a fragilidade do segmento, impactado principalmente por problemas climáticos, variações nos preços das commodities e dificuldades de acesso ao crédito. Para o sócio da RGF especializado em reestruturação, Rodrigo Gallegos, o cenário observado no fim de 2025 é reflexo do acúmulo de desafios financeiros ao longo do ano.

 

De acordo com a avaliação apresentada no relatório, fatores como juros elevados, crédito mais restrito e maior cautela do sistema financeiro levaram muitas empresas ao limite. “O quarto trimestre foi menos marcado por novos choques e mais pelo esgotamento das alternativas de curto prazo, em um momento crítico de fechamento de ano”, aponta o especialista.

 

O levantamento também mostra que pequenas e médias empresas continuam sendo as mais vulneráveis, mas grupos de maior porte passaram a aparecer com mais frequência entre os pedidos de recuperação judicial, inclusive no agronegócio. A análise considera matrizes de empresas ativas de pequeno, médio e grande portes em todo o Brasil.

 

No total, o país encerrou o quarto trimestre de 2025 com 5.680 empresas em recuperação judicial, o que representa uma alta de 7,5% em relação ao trimestre anterior e um avanço de 24,3% na comparação com o mesmo período de 2024.

 

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